
Esta foto eu fiz num casamento. Nem é uma foto genial, com grande dominio da técnica, mas acho q ilustra bem o que eu quero dizer. (pra sair aqui, o uol deu uma distorcida na imagem)
Pra mim, como psicanalista que sou, penso que, muitas vezes, o que defini uma boa foto é a tringulação. Porque na composição da imagem, há sempre: a cena a ser fotografada, o equipamento e o fotografo. Muitas pessoas gostam se isentar na formação da imagem, mas eu penso que isto é uma atividade impossível. Porque mesmo que eu esteja fotografando algo inanimado, é o meu olhar sobre aquela coisa. Faça um exercício bobo, fotografe você e uma outra pessoa a mesma cena. A imagem dos dois nunca é igual. Cada acaba se preocupando com este ou aquele detalhe. E é isto que eu acho que produz um acento bacana, que transforma uma imagem de simples imagem, em algo pessoal. Em arte. Mesmo que seja uma imagem boba, sem grande competencia técnica. O fato de você conseguir perceber quando vê a foto que havia uma terceira pessoa assistindo aquela cena é algo sensacional.
Ando pensando muito nestas coisas, o que faz uma foto ser genial, o que faz uma foto ser arte. O que faz um texto ser arte... E nos últimos tempos tenho me detido a idéia de que arte é quando vc tem coragem de imprimir vc naquilo que vc faz. Mas ainda é uma idéia... um devaneio, destes de noites de verão...
F.L. - devaneios, arte e bobagens...
A COMPLICADA ARTE DE VER
"A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo."
Rubem Alves, 71, psicanalista, educador, escritor
Assistindo ao filme A Pele, que recria livremente a historia da fotografa americana Diana Arbus, percebi que, além das questões tecnicas que não domino, preciso aprender a me soltar mais com a fotografia. Na realidade, preciso fotografar. Eu me encanto com as cenas do cotidiano, mas não as fotografo. Digo a mim mesma que é porque não posso andar por aí com a minha camera. Na verdade, seu tamanho, seu estilo, intimidam na medida em que simbolizam que isto é coisa para profissional. E daí deixo passar. Percebo que, após iniciar meus estudos com fotografia, passei fotografar menos. O que, sem duvida, é um paradoxo. Me refugio em desculpas. Preciso me soltar para fotografar. Isto foi o grande trunfo do curso do Gal Oppido, lá realmente o ambiente fazia com que eu me soltasse e deixasse vir, mesmo o ridiculo. E achasse que vale a pena fotografar até mesmo uma folha amassada.
Me identifiquei profundamente com Diana Arbus pq ela gostava de fotografar os freaks. Sem correções. E penso que, por um certo lado, na psicologia temos um flerte com todos os lados ditos freaks da vida - e as vezes freaks mesmo. E como Diana, muitas vezes somos seduzidos pelo freak. E também como ela, temos um profundo interesse no humano, naquele que a lente capta - já disse que o que gosto mesmo de fotografar é gente?
Foi a primeira vez que passei a enxergar a fotografia com profundidade. Apesar de compreender o sentido que ela e o que ela representa, sempre olhei este trabalho como algo menor, menos intelectual, menos profundo, menos revolucionário, menos. Por isto me apaixonei pelo Gal, o primeiro cara que me apresentou a fotografia de uma forma filosofica, preocupado, mesmo quando aparentemente despreocupado, com os sentidos, significados e com o humano capatado pela máquina. E por isto me apaixonei agora por Diana Arbus. Nem achei suas fotos tão geniais, mas todo o pensamento e construção que a levaram a ser fotografa me encataram. O olhar curioso e intrigado ao outro me encantou. Evidente, que a linha com voyerismo é tenue, não é? E na psicanalise, ouvindo meu paciente, também não é tênue?
Senti isto outro dia. Fui fotografar um casamento e sei da importancia de capturar as emoções deste momento mágico que não volta mais. Então, num dado momento, estava lá, a postos para clicar o noivo que, por ter perdido o pai na infancia, emocionaria-se ao ver fotos dele num video que seria apresentado. Tirei mais de 20 fotos só dele. E de repente, comecei a me sentir mal, pq me senti sensasionalizando um momento repleto de emoção, que eu, de ante mão, sabia que emocionaria. Ao mesmo tempo sabia também que ele gostaria de se ver depois.
Mas isto é só o começo de longas divagações - pega mais uma cerveja, por favor!

Diana Arbus - Lady on a bus, N.Y.C. 1956
Gelatin silver print
The Metropolitan Museum of Art, New York City
Mudei o template.
Até eu não conseguir produzir um mais pessoal. Pq acho q somente na cozinha estariamos tendo papos como este!
Help your self, please!
F.L. - aceita mais um pedaço de bolo?
Então é isto, 2008.
Na virada, ela estava lá. Ano novo, roupa nova. Champagne. Lentilha. 7 ondas. Um beijo a meia noite.
Todas as mandingas possíveis que só querem dizer uma coisa:
A esperança sempre se renova.
F.L. - que venha 2008!
Mudei a assinatura e o layout. Estava tudo muito público. Ainda não sei se fico com este pseudonimo. Mas com o blog fico.
Sou inconstante. Em fatos e afetos. Daí entro e saio deste blog. Gosto de poder entrar e sair das coisas, das pessoas, das vidas, das vias de acesso que levam a mim, em mim, por mim. Enfim, apenas um poema concreto bobo, mas que diz a veio: sou inconstante, me aceite assim, ok?
Mas enfim, o recomeço, do blog, de histórias e de letras.
Recomece.
Sempre há tempo.
F.L. - jovem psicanalista, jovem fotografa, antiga pretensa escritora
Convido você pra uma cerveja hoje. Pensei numa cerveja, pq acho q o papo não é para chá. Fica a vontade, porque aqui em casa é assim mesmo, pode tirar sápato, pôr pé no sofá. Você, que vem aqui, passeia, senta no meu sofá, fica lendo meus manuscritos... então, você mesmo. Então, acho que não me expliquei direito... talvez não tenha dito, mas este blog é uma hipérbole e uma ficção. É, isto mesmo! Hipérbole porque é isso mesmo, um exagero, um execesso, no melhor que a liberdades poética possa me dar, no mais adolescente que isto possa ser, mais drámatico, mais emo, mais tudo de mais que isto possa mais. O que isto quer dizer? As vezes uma dorzinha, pode virar um caso de internação. Pq? Pq assim eu senti? Pq assim eu vivi? Pq assim eu quero que vc sinta? Assim eu quero que vc me veja? Sei lá. Por tudo isto. E por nada disto. Porque, no fim das contas, isto é uma ficção da vida real. E na ficção do meu egocentrismo, eu posso querer o que eu quiser. Assim mesmo, bem egoísta. Aí, que delícia!
Então é isto, só queria deixar claro a minha viagem. Que aliás, é pra isto que este blog serve. Pra minha viagem da minha cabeça viajante. Que é o que eu adoro compartilhar com você!
F. L. - ficção de si mesma
Ela passa a tarde em casa. Triste e em casa. Alguém disse que é uma grande mulher, mas melancólica, precisa brilhar mais. Dizem que um homem é mais elegante quando tem uma dor. Pensa que uma mulher também pode ser mais elegante quando tem uma dor. Mas é mais brilhosa quando não tem. A dor deixa opaco e cinza. Cinza é a cor da moda, ela pensa. Dor esta na moda. Todos hoje tem dores. Dizem delas aos 7 ventos. Mas dizer não é sentir. E ela sente. Sente que a tarde é muito mais gostosa quando não há dor nenhuma, nem grande, nem pequena. Se sente pequena, ela me diz numa ligação de final de tarde, destas despretenciosas que só quem sente dores numa tarde é capaz de fazer. Não me diz que sente dor, mas eu percebo pela sua voz e pelo seu olhar, que sinto pelo telefone. Conheço este olhar de corpo vago, procurando dono. Não me diz nada. Quer ouvir da minha dor e ver se assim, esquece da sua. Anestesia a dor do outro. Conheço ela faz tempo. Digo quase nada, mas o suficiente para que lhe aplaque a angustia que arde sem se ver. Então ela fala. Diz que hoje a única coisa que queria era uma fluoxetina e nada mais nos braços. Nunca tomou fluoxetina. Melhor assim. Dá prá idealizar quando não experimentou jamais. Imagina que a vida seria sem dor se ela tomasse fluoxetina. E se já tivesse experimentado e descoberto que de nada adianta mascarar a dor com química?? Que química alguma mascára dor alguma? Melhor assim, então. Fluoxetina é seu príncipe encantado. Seu feliz para sempre. Virá num cavalo branco, lindo, trazendo a felicidade total. Ausência de dor. Odeia segundas feiras. Na segunda sempre se lembra que tem uma dor pra carregar. E esta dor, esta dor pesa. Cansa. E fica lá, martelando. Todo segundo. Lembrando que ela existe. "Ei, menina, lembra, você tem uma dor! Não vai esquecer ela aqui, porque ela é sua". Cansa tanto, que ela só me diz que quer dormir. Falo que Ferenczi disse que "o carater insuportável de uma situação leva a um estado psíquico próximo ao sono, onde tudo o que é possível pode ser transformado da um modo onírico..." Ela não escuta. Não pode. Esta vazia, lembra? A dor deste tipo esvazia. No vazio o som bate pelas paredes e ecoa. Mas não ressoa. Não adentra, penetra, só passa. Como um zunido. Não sinto dó. Sinto dor.
F. L.
"Se ele me deixou, a dor
é minha só, não é de mais ninguém
aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor"
(Marisa Monte/ Arnaldo Antunes)
Estudando muito para descobrir quais são as dores, a delícias, e sobretudo os desejos que motivam pessoas e escolherem ganhar sua vida "abrindo espaço de escuta, confiança e acolhimento" para o sofrimento de outras. [e divagando, como me é peculiar...]
Em bom português, escolher ser psicólogo é uma coisa muito esquisita! Pensa comigo, mesmo que você não atue no consultório, esta o dia todo em contato com o sofrimento. Ninguém te procura para dizer que esta bem, feliz e contente. Em alguns momentos do tratamento isto acontece, mas o primeiro contato sempre é pela dor. Mesmo aqueles que dizem que vão fazer análise para se conhecer melhor. Sempre há dor. A dor e o sofrimento são as bases aonde a profissão esta ancorada - sei que estou sendo um tanto polêmica, mas não estou deixando de lado as potencialidades criativas e as manifestações de vida q tb nos ancoram e nos sustentam nos terrenos do sofrer, mas faço um convite despido de panfletagem, provido do mais puro afeto e estranhamento, aquele mesmo que reside no olhar das pessoas quando a gente diz "sou psicóloga, e vc?", vamos mergulhar de cabeça neste papo de sofrimento e de desejo de trabalhar com sofrimento, quer vir comigo? Tô só começando.
Não basta ouvir a dor do outro. Isto as vezes um incontável numero de pessoas já fez. Você tem que abrir um espaço dentro de você para dor do outro - como já diria minha analista, que deve ter espaço pra caramba. Puta que pariu! Isso é coisa pra caralho, com o perdão da minha boca suja. Já não basta caminhar com a minha dor, ainda vou ter que guardar a sua???????? Socorro!!! Quem foi que deixou eu escolher fazer isto na faculdade, me fala? E me fala mais uma coisa, como é que eu não percebi antes que no meu fazer, este atravessamento estaria permeando?
E por falar em dor, posso dizer q a minha dor é grande. Sofro com o inicio da profissão, que coincide com a minha entrada na minha vida adulta - o que já dá um blog de sofrimento. Sofro com a falta de grana, trabalho, reconhecimento, mercado. Sofro cada vez que ao atender uma pessoa tenho que estar numa qualidade de presença talvez nunca dantes navegada por mim. Sofro ao não entender os textos, termos, as pessoas, os links, as interpretações. Sofro pra não me tornar clichê, terapeuta do gerundismo. Para descobrir o que gosto, o que quero, como quero. Sofro quando olho para trás e vejo as aulas, os textos, tudo aquilo que o sono, as conversas, as não estadas na aula, levou. Sofro na pós, me disciplinando para ser adulta, ficar presente de verdade, ouvir tudo, não dormir, ler os textos antes das aulas, entender, metabolizar, sem me dispersar. E sofro tanto quando me disperso, só eu sei o quanto. Sofro, então, na minha própria análise - ferramente fundamental do meu processo de me tornar analista - que me convoca a navegar nos meus sofrimentos e desejos mais esquisitos. Analista a quem eu pago para falarmos/cavarmos estes sofrimentos e estes desejos, os quais nem ouso saber quais são - deus salve o inconsciente! - tudo isto na esperança de que ao andarmos por estes caminhos juntas, porque eu sozinha teria medo de fazê-lo, posso me tornar uma pessoa melhor - o que não quer dizer sem sofrimento.
E com tudo isto, que me toma de assalto, não sei porque não consigo finalizar minha monografia com o tema "cada sabe a dor e a delícia de ser o que é". Pois é.
F. L. - Klein [http://lixomania.zip.net], tá achando que é fácil ser filha da puta, é? Né não.
O quereres
Caetano Veloso
"Onde queres revólver sou coqueiro,
onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo,
e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta,
e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco,
e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco,
e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez,
onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão,
e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer,
ah, bruta flor,
bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito,
e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo,
e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói,
e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução,
e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor,
construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação,
tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés,
e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou,
não te quero e não queres como és
Ah, bruta flor do querer,
ah, bruta flor,
bruta flor
Onde queres comício, flipper vídeo,
e onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua eu sou o sol,
onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz,
onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro,
e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem,
querer-te mal,
bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal,
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim"
F. L. - o que queres?
" Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernanda Pessoa
Estar no mundo parece que nunca foi tão complicado como agora. E, apesar do sofrimento, tenho me esforçado para me manter no olho da complicação. Penso que é neste vão - enquanto abertura de pensamento - que posso transformar e resignificar coisas minhas, tão minhas que se agarram a mim com força, muita força e que se quero ser pessoa, preciso pensar sobre elas.
Já não sei mais nada que penso, que sou, que quero. As pessoas me acolhem ternamente, a mim e as minhas angustia, e angustiadas insistem em dizer faça isto ou aquilo, então eu me pego fazendo coisas - pq esta sou eu, repleta de fazeres, "se tem que fazer, vamos fazer". Fazendo muitas coisas, tomando decisões estéticas... e então, quando deito no divã e me entrego a mim, ela me diz que fazer coisas eu tenho feito e preciso mesmo fazer, mas e o que eu quero. Ponto final porque não sei como colocar uma interrogação nesta frase. Esta sou eu, repleta de fazeres e confusa em meus quereres e desejos. Paraliso. Parece, por um instante, que ninguém nunca tinha me perguntado isto na vida. Ressoa de tal forma que parece pedra que a gente joga na água. O que eu quero, o que eu quero, o que eu quero... e esta frase vai me perseguindo, pulando no meio de uma conversa fiada, na frente da minha máquina fotográfica, entre o beijo, no meio da supervisão, no meio da música, no meio do texto...
E você, o que quer?
F. L. - no duro processo de me tornar astronauta do meu próprio universo.
"Eu pressuponho que escrevo por sobrevivência.
O texto me exaure até a asfixia plena.
É sempre um óbito necessário".
Ézio Deda
Roubei da http://pilareoutrosescritos.zip.net/
Estava escrevendo um texto bobo, de domingos bobos a tarde, sobre o fato de terem perdido minha Olivetti Bambina. Minha máquina de escrever vermelha e branca. A concretudo do meu primeiro desejo verbalizado de querer ser alguma coisa nesta vida. E esta coisa tinha que ser justamente SER escritora. Pedi a máquina quando decidi que queria escrever e daí, já queria começar logo a SER. Devia ter uns 8 ou 10 anos, não me lembro ao certo. Por anos a fio ficou lá, guardada no armário do meio, entre roupas de cama, toalhas de banho, fotos antigas, remédios.
Hoje queria reencontra-la. E por isso estou com este nó na garganta de imaginar que perderam tal pedaço tão preciso da minha história. Penso que ao abri-la poderia localizar aonde, como, quando e porque nasceu este meu desejo e necessidade de escrever. Talvez ela fizesse a conexão de mim comigo mesma, me remetendo a quem eu sou, quem quero ser, quem preciso ser. Sempre me liguei mto nestas coisas de símbolo. Ainda mais este,que concretiza a hora em que assumi meu desejo e me coloquei frente ao mundo dizendo que queria ser daquele jeito! Reencontrar minha máquina, reencontrar pedaços de mim e costurar tecendo um texto em suas teclas empoeiradas. Brincar de ser escritora: colocar os óculos de acetato e fingir ser intelectualóide, me deliciando com uma xícara de chá ao meu lado, uns papéis amassados, como se tivesse passado a vida toda neste lugar tão meu, tão cheio dos meus desejos, me debruçando sobre um texto qualquer, uma história de amor, misterio, filosofia barata... Me debruçando sobre mim, minha vida, meus desejos, quem sou, quem fui, quem quero ser? Queria reencontra-la e perguntar a ela se ela ainda espera que eu escreva livros com ela, dizer que eu nunca a esqueci, e que ainda espero escrever livros um dia.
Crueldade dar uma coisa dessas a alguém qualquer que olhará suas teclas vermelhas e jamais imaginará tudo que ela representa na vida daquela e desta garotinha-mulher que sonha em SER. Quanta falta de zelo comigo mesma não ter me abraçado a ela, polido, cuidado, ninado e trazido de vez a minha nova vida! Deixei lá, sozinha, esquecida. Mais um dos pedaços de mim mesma que perco por aí toda a hora.
Me pergunto se, quem sabe, ela ainda não esta lá, empoierada, no mesmo armário, no escuro, sozinha, sem ninguém que a faça falar... Esperaça de reencontrá-la me esperando, para que possamos iniciar enfim nossa trajetória anunciada juntas... Ela deve estar lá, sozinha, bem no meio do meu inconsciente, esperando, de fato, que eu possa me reencontrar, me integrar e que possa, enfim, dar conta da minha trajetória.
Fê Lopes - Quero a MINHA Olivetti Bambina agora!! [batendo o pé, olhos com lágrimas]
Bem me quer. Mal me quer. BEM ME QUER!
Bem te quero. Mal te quero. BEM TE QUERO!
A equação do amor é está. Enquanto a balança ainda tiver mais bem me quer e bem te quero, ele continua a ser amor, feliz para sempre, cerquinha branca no quintal! E eu acho que já escrevi isto aqui alguma vez, ou terá sido no blog antigo? Enfim, um dia nós nos olhamos nos olhos e decidimos que queriamos ser felizes para sempre. Mas nunca dissemos que seriamos felizes para sempre todos os minutos da vida-para-sempre que decidimos viver. Felizes para sempre a gente tem que ser na maior parte do tempo. Em alguns momentos a gente briga, grita, bate porta, quer ir embora de vez, nunca mais olhar na sua cara... Ira, vontade de jogar tudo para o alto!
Afinal o que é o homem senão este ser dual, que cheio de paradoxos? Nesta equação da vida a dois somos humanos e não formúlas matemáticas, dogmas imutáveis... E os desejos são assim mesmo, caminham por caminhos que se desencaminham e encontram então novos caminhos... Nosso feliz para sempre se esvaziaria caso exigisse de nós sorrisos prozaquianos que não saem nunca da boca, e teríamos sempre que ser contidos, constantes, inertes, sempre iguais, sempre sorrisos, sempre doce.
Mas a verdade é que te olho. E então te vejo deitado na cama, descanso do guerreiro, companheiro de tantos vãos momentos vãos, de tantas delicias, tantas dúvidas, tantos amores, prazeres e afetos afetados... e lembro que costumava dizer muito antes de te conhecer que queria um amor bem grande, destes que dói o coração. E um homem que argumentasse comigo, quando eu fosse, igual bebe que coloca a mão na tomada para testar se iria levar um choque. Falava também que queria um homem que não fosse embora no amanhacer, mas que olhasse nos meus olhos e dissesse: "olha, nós vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, ou hora ou outra os castelos podem ruir, seja por minha ou sua causa, ou até mesmo pelo destino, eu ou você podemos querer desistir de tudo isto aqui, mas nem que seja por um segundo, eu quero amar você. Nem que seja para acabar daqui dois minutos, eu quero amar você, eu vou amar você, eu amo vc."
Este homem é você.
E enquanto os seus dois olhos negros estiverem nos meus dois olhos negros, e eu os achar os mais lindos que já vi, enquanto meus ouvidos ainda quiserem a sua voz deliciosa a dizer bobagens às 3hs da manhã, enquanto meus lábios ainda quiserem só os teus, eu vou bem te querer mais uns 100 mil eternos por segundo.
Fê Lopes - o amor será eterno novamente, novamente...!
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